A dissolução / transformação dos elementos

Nascer. Morrer. A Natureza.



Quando abordo, nos meus workshops e no curso de doulas do fim da vida, a dissolução dos elementos, sinais e sintomas das últimas horas/ dias de vida, não estou a falar de uma coisa que vá acontecer num futuro longínquo. Esta transformação ocorre, em nós, no momento que chamamos de Agora. De igual forma, não estou a falar de um acontecimento esotérico que acontece fora do nosso corpo físico terreno. Não é um acontecimento que acontece apenas no campo invisível aos nossos olhos. Acontece-nos no corpo e é sentido como tal. Todos nós temos a oportunidade de sentir esta transformação acontecer a cada momento, no agora, exponenciada em momentos de grandes revoluções da nossa vida (tudo o que acontece fora acontece dentro e tudo o que acontece dentro manifesta-se fora de nós), e nomeadamente, no momento em que temos que largar o nosso corpo.

Podemos aprender a sentir esta dissolução / transformação em nós. Podemos aprender a reconhecê-la e a não nos assustarmos. A criar um campo sagrado de manifestação da nossa natureza real. A deixar que ela se manifeste em nós através do nosso corpo. A rirmos e chorarmos com ela.

Há várias ferramentas que podemos utilizar e onde podermos aprender a sentir-nos. A ver a realidade do que somos. A ver as coisas como elas são. Abordo duas que são reais para mim, mas existem muitas outras. A prática de meditação e as plantas medicinais. Esta última tem despertado em mim muita curiosidade, vontade de explorar e abrir o caminho das plantas em mim. Acho que a árvore em mim pede para eu despertar. Assim o sinto. Quando percorro estes caminhos confronto-me com a realidade de não ser nada e de me desfazer no vazio, de ser pó, sangue, suor, secreções, vómitos, todos os fluidos corporais que me constituem. Não tenho tempo de me sentar na poltrona de uma sanita porque não existem poltronas. A vulnerabilidade, a minha exposição a ela e o suporte em amor de quem a ancora, é revolucionário. Não existe mais nada, mais real, mais verdadeiro, mais amoroso do que isto. Olharmos para nós e vermos os outros na mesma perspetiva. Não há poltronas. Nunca houve.

Nascemos do sangue, suor, gemidos, sémen, fluidos mágicos vaginais, fezes, urina, vómitos, colónias de bactérias, alterações da consciência, expansão do corpo e do espírito. Quem já viu alguém nascer e morrer pergunte-se: Qual é a diferença?

(cont. noutros capítulos)

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